Graphic Novel ou HQ (História em Quadrinhos)?

Talvez ainda seja comum, nos dias de hoje, confundir Graphic Novel com HQ (Histórias em Quadrinhos).

Para quem se interessa pelo assunto e ainda não sabe, existem diferenças entre essas duas definições. História em Quadrinhos, por ser o termo mais antigo, também se tornou o mais comum. As histórias contadas de forma gráfica tal como as HQs de hoje sugiram há muito tempo através de impressos e folhetins de jornal, porém, com uma linguagem mais limitada. As falas não eram inseridas nos “balões” como são utilizados hoje. O balão que representa a fala dos personagens nas HQs, surgiu com as tiras do Yellow kid , personagem criado por Richard Felton Outcault que teve sua estréia oficial no jornal New York World em 17 de fevereiro de 1895.

De lá para cá, muitos artistas começaram a investir nessa mídia caricata e, muitas vezes, infantil, criando uma linguagem própria, uma forma literária vulgar para os olhos dos adultos. Histórias de detetives e super-heróis começavam a preencher páginas dos jornais e também ganharam suas próprias publicações em revistas semanais, como Dick Tracy de Chester Gould e Flash Gordon de Alex Raymond.

Somente pela mão do artista norte-americano Will Eisner (foto acima) , seria levantada a bandeira  dos quadrinhos como uma forma de arte. Criador do personagem Espírito(desenho a abaixo), representado por um detetive mascarado dos anos 50, desenvolveu uma metodologia de contar histórias através de imagens em seqüência ao qual ele definiu como Arte Seqüencial e mudou para sempre o conceito das HQs.

Eisner foi um dos poucos artistas que melhor explorou a narrativa gráfica. Suas histórias e enquadramentos são verdadeiras peças teatrais. Devido a essa qualidade foi que Eisner utilizou o termo Graphic Novel para definir suas obras. Apesar do sucesso do Espírito como quadrinhos de banca, Eisner investiu em histórias mais complexas, roteiros mais romantizados, mais dramáticos, abordando sempre uma visão autobiográfica de sua infância nos becos frios e sujos de Nova York. Títulos como Avenida Dropsie e O Nome do Jogo são verdadeiros registros da observação do comportamento norte americano em meados do século XX. O que a princípio fez-se crer que essa temática, do romance, do drama da vida real fosse um critério para se definir uma Graphic Novel, como o próprio nome em inglês quer dizer, novela gráfica. Apesar disso, hoje o termo Graphic Novel ganhou inúmeros artistas adeptos desse formato e seu conteúdo se tornou versátil e variável. A Marvel e a DC também começaram a investir nesse formato, apesar das controvérsias sobre essa temática do universodos heróis.

Se analisarmos entre todos os tipos de Graphic Novels do mercado atual, é possível constatar umas características que a define bem. Todas elas contêm uma história fechada, com início, meio e fim. As Graphic Novels não são periódicos, porém como os filmes, podem adquirir uma seqüência ou continuação, mas nunca serão séries de banca. Outra característica comum é a estilização do artista. Por serem histórias fechadas, são histórias mais longas, com maior desenvolvimento e por isso são escolhidos bons artistas para concebê-las graficamente. Seu formato e sua impressão também ganham mais destaque. Devido ao tamanho da história, um formato pequeno exigiria maior número de páginas o que a tornaria desconfortável para ler. Normalmente a encadernação é mais detalhada, e a qualidade do papel é superior. Isso também encarece o preço das Graphic Novels.

Portanto, uma Graphic Novel:

  • Possui uma história completa;
  • Não é seriada;
  • Seu formato é maior que o quadrinho normal;
  • A qualidade no estilo do desenho é maior;
  • A qualidade do papel também é maior;

Independente de ser Graphic Novel, Histórias em Quadrinhos, Tirinhas de jornal ou Gibis uma coisa é certa, a arte seqüencial é uma forma literária muito agradável e divertida.

Um comentário sobre “Graphic Novel ou HQ (História em Quadrinhos)?

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *